Matéria de Vida

A que se inventará a vida em mim? A que respirarão todas as minhas células? Elas o vivem, elas o fazem, elas o crescem, elas o são. A que carnes este metabolismo em mim servirá? Aos pensamentos de algum livro? Às legiões de algum rebanho?

Que imagens envolverão os incontáveis trilhões de gestos intracelulares de um único instante em mim? Que previsão de futuro ditará o ritmo de minhas glândulas? Que modelos estenderão a área do meu peito e erguerão a coluna de minhas vértebras? Aqui, neste âmbito de em mim ser o que sou. Nestes personagens que soam o plasma de minhas transações proteicas e que narram o olhar dos meus sorrisos, dando-lhes o motivo.

O que motiva? A que ou a quem deveria eu emprestar todas estas forças que em mim pedem caminho e fazem matéria de vida? Como pude acreditar em pedir permissão?! Que pressas me fizeram conceder todas as minhas indústrias tão vitais a convenções tão alheias e a papéis tão vazios!? Tudo é barato demais neste comércio, ao mesmo tempo que tudo é abundante demais neste desprezo.

Se o fiz, se entreguei as origens do meu fôlego em auto-traição, foi por turvência de ignorância, por um estranho feitiço de subserviência e escravidão voluntária. Agora sei. Foi o resultado de asquerosas infiltrações de veneno nas letras do meu pensamento e nos codificadores gênicos dos meus cromossomos. Dominaram minhas raízes pela minha própria concessão.

Pois! Desempresto tudo que sou e restauro minhas fontes todas a elas mesmas, por lucidez. Regeneração jhá! Instante a instante. Que os tecidos se refaçam. Que todas as engenharias desentrelacem os drenos desviantes. Que toda a arte expurgue as viroses conceituais que me roubaram o metabolismo. E que a mais alta-profunda luz - de tudo que em mim é energia - fulmine toda parasitaria emocional em meus músculos.

Desde já é o sempre. Ajo vivo. Haja vida!

#PresençaSelvagem #Feldenkrais #Poesia #HansShaié

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